Prisioneiros é um romance policial concebido nos moldes que definiram o
gênero na literatura universal. Não faltam ao seu enredo o suspense
característico das famosas aventuras policiais consagradas sobretudo
pelo cinema norte-americano, as cenas eletrizantes que pouco a pouco vão
desnudando ao leitor a trama até então obscura e ainda a ser desfiada
ao longo dos capítulos finais, a carga emotiva de seus personagens em
busca de uma resposta às suas indagações sobre a vida e suas elaboradas
investigações que fatalmente vão levar ao leitor a verdade até então
disfarçada e ambígua no desenrolar da narrativa. Além desses elementos
necessários ao desenvolvimento do gênero, contudo, o autor escolheu
ambientar a sua história em um local não muito comum às obras congêneres
da literatura nacional. Assim, o universo soturno e assustador das
frias salas de necropsias dos incomuns Institutos de Medicina Legal
(IML) e a densidade psicológica de seus técnicos acostumados a enfrentar
a figura da morte no seu dia-a-dia são aqui abordados, mas não pela
curiosidade mórbida que tais situações podem suscitar a um leitor
desavisado, mas sim com a intenção clara de revelar-lhe as extremas
dificuldades enfrentadas pelas equipes médicas na sua prática
profissional e na vivência cotidianas. Desse modo, se, de um lado, cenas
extremamente fortes e carregadas de imagens perturbadoras vão tecendo
pouco a pouco a realidade dos personagens relacionados ao ambiente
profissional em que atuam; de outro, a perseguição a um criminoso em
série que rouba os olhos de suas vítimas vai pontuando a realidade de um
Departamento de Polícia e de seus personagens envolvidos. Num estilo
próprio e instigante, Celso da Silva constrói sua narrativa de modo
espelhado, alternando ao longo dos capítulos duas tramas que ao final se
encontram de modo surpreendente, revelando ainda uma terceira trama
apenas anunciada no início do romance. Publicado em 2007. Fonte: Livraria da Folha.
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